22 setembro 2006

Planejamento financeiro – Como fazer?

Acredito que a forma mais fácil de entender como fazer um planejamento financeiro seja a divisão do dinheiro em caixas diferentes. Estas caixas podem ser caixas de sapatos, cofres, contas bancárias ou só anotações detalhadas em um pedaço de papel ou em uma planilha do Microsoft Excel.
A idéia das caixas é a seguinte: de tudo o que você comercializar, uma parte é o lucro a outra tem que obrigatoriamente voltar para a empresa, para que você possa repor as mercadorias, pagar as contas e manter a empresa ativa.
A grande pergunta “Como fazer?” se concentra em entender como se calcula o quanto é o lucro e o quanto se usa para repor as necessidades da empresa.
Primeiramente faça um levantamento de todo o seu custo fixo, ou seja, o quanto você gasta por mês vendendo ou não. Por exemplo, aluguel, telefone, água, luz, folha de pagamento, inclusive o seu pró-labore, dívidas de empréstimos, aluguel de equipamentos. Anote tudo o que é valor fixo, valor que não se altera em relação às vendas. Agora some tudo e ache o total, então escreva esse valor em uma das caixas.
Faça então os cálculos para saber o quanto gasta com cada produto comercializado, obviamente é necessário listar todos os produtos da empresa e listar tudo o que é necessário para fabricar, armazenar, embalar, despachar, enfim, tudo o que envolve sua comercialização, sua venda. Por exemplo, se você for vender lanche, o seu x-salada será seu produto, que é fabricado com um pão, um hambúrguer, uma fatia de queijo, uma rodela de tomate e uma folha de alface. É embalado em um saco plástico, as matérias-primas são armazenadas na geladeira e ele é preparado na chapa consumindo gás, e o produto após estar pronto é despachado via moto-táxi até o cliente final.
Para saber o custo variável deste produto, o x-salada, é necessário saber o quanto vale o pão, o hambúrguer, a fatia do queijo, a rodela de tomate, a folha de alface, o saco plástico usado e o moto-táxi. Neste caso, você ainda pode optar por colocar os gastos com a estocagem e a produção, ou seja, o quanto gastou com a geladeira e o gás para produzir exclusivamente este lanche, como custo fixo, mas na maioria dos casos isso também deve ser calculado como custo variável. Atente também ao fato de que é necessário saber o custo da fatia do queijo e não do quilo de queijo, da rodela de tomate e não do tomate inteiro e da folha de alface e não do maço. Inicialmente pode parecer exagero ou difícil saber exatamente quanto custa cada coisa, mas com contas simples de multiplicação e divisão, boa vontade e umas horinhas, você consegue facilmente fazer isso. E depois de feito é só administrar suas variações em função do aumento do preço de uma coisa ou outra.
Agora que você sabe o custo variável faça uma tabela com o nome de cada produto e com o seu custo variável na frente e cole-a em outra caixa.
Na seqüência simplesmente escreva “lucro” em um papel e cole em outra caixa diferente.
Para cada produto comercializado, vá até a caixa de “custo variável”, veja o valor que você anotou lá e coloque essa quantia dentro da caixa. O que sobrar é o seu lucro bruto, que deve ir direto para a caixa de “custo fixo”. Quando esta segunda caixa alcançar o valor marcado nela, você pára de depositar dinheiro ali e passa a colocar na caixa de “lucro”, que é na verdade seu lucro líquido. Então vamos entender: valor da venda menos custo variável é igual a lucro bruto, lucro bruto menos custo fixo é igual a lucro líquido.
Na verdade fazendo isso você terá feito um demonstrativo de resultado do exercício (DRE). Para que isso se torne um planejamento financeiro é necessário que seja feito um DRE para todos os meses do ano ou para os próximos anos. Use para isso estimativas e projeções baseadas em conhecimentos específicos e para cada fim de período ou mudança nos planos, sente-se e refaça seus DREs para os períodos seguintes. E, pronto, você tem em mãos uma poderosa ferramenta administrativa, o planejamento financeiro, mas para que fique registrado o DRE é uma parte do exercício de formação de preço, que deve ser feito na sua totalidade para que se alcance corretamente os dados para o preenchimento do DRE. Neste exemplo eu não citei os valores em percentuais que formam o preço, por exemplo, impostos. E em futuros artigos estarei falando mais especificamente sobre “formação do preço de venda”.

4 comentários:

Roberto Machado disse...

Putz...incrível como você consegue passar esses conceitos de forma tão didática. É um norte para quem está começando. Parabéns. ;)

Marcio Nobrega disse...

Muito obrigado roberto, esse realmente é meu objetivo, divulgar o conhecimento empreendedor de forma simples. E caso queira me ajudar nesta missão estou aberto a sugestões de temas à serem discutidos, prometo que irei perguntar a quem entende, hehehe, e buscar respostas. Valeu roberto. T+

Luiz de Paiva disse...

Márcio, parabéns pelo blog e pelos excelentes textos.

Ontem criei um novo blog sobre empreendedorismo e adicionei um link para o seu.

Espero contribuir para a troca de conhecimento.

Abraços!

Marcio Nobrega disse...

Legal luiz, obrigado por incluir um link pro meu blog, e parabens pelo seu blog, sucesso. E vamos continuar espalhando o conhecimento empreendedor. T+