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20 julho 2007

Os detalhes da sua incompetência não me interessam por Ricardo Jordão Magalhães

"Diga a Simone que eu não vou aprovar a garota que ela me mandou para as fotos. Eu pedi uma garota atlética e sorridente, ela me enviou uma garota cansada, suja e gorda. Confirme a minha presença na festa do Michael Kors. Eu quero que o motorista me deixe em casa as 21:30 e me pegue pontualmente as 21:45. Depois ligue para Natalie do Restaurante Gloria e diga a ela NÃO pela 40a vez. Eu não quero dacquoise, eu quero tortas. Depois ligue para o meu ex-marido para lembrá-lo que a reunião dos pais é hoje a noite no Dalton. Depois ligue para meu marido e peça para me encontrar para jantar no restaurante que encontramos o Masima. Diga a Richard que eu vi as fotos que ele fez, e falta originalidade nelas. Eu quero ver também o rascunho que Nigel escolheu para a segunda tentativa de capa. Eu estou indo muito rápido? Eu penso que não. Todo mundo quer essa vida. Todo mundo quer ser igual a nós." Em O Diabo Veste Prada, Miranda Priestly, a personagem de Meryl Streep, transforma a vida das suas assistentes em um verdadeiro inferno. Inferno? É engraçado que uma vida agitada, cheia de compromissos, desafios, prazos, pressão e stress seja associada ao Inferno, enquanto uma vida calma, tranquila, lenta, complacente e cheia de ócio criativo seja associada ao Paraíso. Ócio Criativo? Argh!!! Uma teoria como essa só poderia ter nascido na Europa dos tataranetos preguiçosos do Da Vinci, Copérnico, Descartes, Rousseau e Cicero. Ora, se Deus criou o universo em apenas seis dias, eu penso que ele seja um cara agitado, engajado e dramaticamente chegado ao trabalho, senso de urgência e resultados. Se existe um Paraíso, eu imagino que todos os seus funcionários estejam nesse momento cheios de trabalho, prazos e metas (se depender da Terra e seus personagens pitorescos, o céu tá danado - gíria infernal -, tem trabalho para toda a eternidade). Miranda trabalha a mil por hora, demite ao primeiro sinal de incompetência, não admite mal gosto, não admite idéias repetidas, não admite desculpas. "Eu não entendo qual é a dificuldade que existe em confirmar uma reunião" metralha Miranda para cima de suas funcionárias plebéias. "Existe alguma razão porque o meu café não está pronto? Ela morreu ou o quê?". A parte mais bonita do filme, uma verdadeira aula para os profissionais de negócios, acontece na tal da festa do tal Michael Kors. Mas antes de seguirmos em frente, para a sua aula de pós-graduação, vamos dar uma passadinha na pré-escola. Deixa eu te apresentar Andy Sachs, a estagiária caloura iniciante e relapsa que acaba de se tornar assistente de Miranda. A natural arrogância da jovem sabe-tudo, explode em um riso de desdém, quando Miranda veta o uso de uma blusa azul para uma sessão de fotos da próxima edição da sua revista. "Oh... ok, eu entendo. Você pensa que essa blusa azul não tem nada a ver com você? Você é do tipo que abre o guarda-roupas pela manhã e escolhe qualquer coisa, porque você quer dizer ao mundo que está tão preocupada com ele que não tem tempo para se preocupar com as roupas que você veste. Mas o que você não sabe, é que o azul dessa blusa não é apenas um azul, também não é um azul turqueza, nem um azul celeste, esse azul é um azul ardósia. Em 2002, Oscar De La Renta criou toda sua coleção com esse azul. Depois Yves St Laurent o seguiu. Depois disso, o azul ardósia rapidamente apareceu na coleção de oito diferentes designers. Daí, alguns anos depois, apareceu em alguma loja de departamento onde você compra as suas roupas quando estão em liquidação. Entretanto, esse azul representa milhões de dólares e incontáveis empregos. A roupa que você está usando hoje, que você pensa que escolheu sozinha, foi escolhida pelas pessoas dessa sala. Depois de muita discussão e estudo." Aprendeu a lição? Vamos então a pós-graduação. Muito se fala em fazer networking, muito se comenta sobre a necessidade de almoçar com clientes, comparecer a eventos da indústria, prestigiar lançamentos de produtos, participar de fóruns de discussão na web blá blá blá. Até avatar na Second Life já virou commodity. Nós adoramos uma festa, certo? Boca livre, mulher bonita, canetinha no final, estacionamento gratuito. Happy hour é o nome do jogo! Vamos juntar o nosso pacotinho de cartões de visita, e lets go! Volta, volta, volta. Quando Miranda entra no museu com as duas assistentes a tira-colo, a festa de Michael Kors está bombando. Políticos, artistas de cinema, grandes estilistas, todo o mundo fashion da moda e entretenimento está lá. É uma festa de arromba, lindas mulheres desfilando em seus vestidos longos junto a finos homens de preto. É uma grande oportunidade para Miranda fazer o seu networking. Ela vai para o ataque, direto ao encontro das pessoas certas com quem ela quer ver e ser vista. Ela encontra a primeira vítima. O que acontece? Enquanto Miranda se dirige para cumprimentar a celebridade, uma das suas assistentes sussura em seu ouvido, duas ou três informações importantes que serão imediatamente utilizadas por Miranda para personalizar a sua abordagem. "Como está a cidade de Washington, Senador? Parabéns pela sua posição contrária a emenda XWY. Nós temos que conversar mais sobre a sua proposta ABC para o mundo da moda.". Um empresário se aproxima com sorrisos e braços abertos, dono de poços de petróleo no Texas, casado pela segunda vez, ele abraça Miranda inesperadamente, que preparada pela assistente, consegue mostrar-se íntima dos negócios do empresário. Você aprendeu a lição? Uma vez que você sabe quem você pode encontrar por aí, ou quem você pode encontrar na próxima festa que irá participar, ou na próxima ligação que irá fazer, esteja preparado, duplamente preparado (uma vez que você não têm assistentes a tira-colo para te ajudar), ou melhor, você tem um assistente, se chama: Google. Google o seu cliente! Encontre duas ou três informações relevantes a seu respeito, transforme essas informações em duas ou três perguntas interessantes, ESCREVA as perguntas no papel, leve com você onde for! Digamos que você encontre o Abilio Diniz do grupo Pão de Açúcar. Se você o googleniou, ao invés de dizer "Como vão os negócios? ou Como vão as vendas?", você tem informações o suficiente para dizer "Como estão as vendas da loja da Brigadeiro Luis Antônido desde a última reforma? Ou Você está satisfeito com o crescimento de 15% no número de inscritos na última maratona de revezamento do Pão de Açucar?". Esteja preparado! Você não precisa usar Prada para infernizar a sua própria vida, mas você precisa valorizar todos os detalhes que a fazem maravilhosa. NADA MENOS QUE ISSO INTERESSA! QUEBRA TUDO! Foi para isso que eu vim! E Você? Ricardo Jordão Magalhães Eu quero fazer da sua vida um inferno. E-Mail e Messenger: ricardom@bizrevolution.com.br BIZREVOLUTION Se você gosta dos textos do QUEBRA TUDO, Clique aqui para indicá-lo para TODOS os seus amigos. Se você não gosta, indique aos inimigos. Bem ou Mal, fale de mim. Eu nasci para tirar você da zona do conforto! EU SOU FÃ DO SER HUMANO!

22 novembro 2006

Peixe Grande

Peixe grande é o nome de um filme de Tim Burton que conta à estória de um homem cujo pai esta para morrer, ele busca desvendar o que realmente é verdade das estórias fantásticas contadas por seu pai. Seu objetivo é conhecer quem realmente é seu pai, quem esta por trás de tantos fatos inusitados. Durante todo o filme ele se mostra cético em relação às estórias de seu pai, mas no fim, percebe que seu pai sempre lhe contou a verdade, porem, com um ponto de vista único. A pesar de verdadeiras, as estórias tinham uma pitada extra de fantasia, sonho e cumplicidade. E apesar de louco por cinema, não escrevo sobre e nem tenho a pretensão, escrevo sobre empreendedorismo. E é por isso, que escrevo recomendando a todos este filme. O tal Peixe Grande e suas estórias maravilhosas são para mim um verdadeiro exemplo de um empreendedor. Ele tem todas as características fundamentais de um empreendedor. Vou falar de algumas, mas assistam ao filme para descobrir todas as outras. Quando o gigante atormenta sua cidade ele mostra iniciativa ao se oferecer para solucionar tal problema. Ainda com o gigante, mostra sua capacidade de persuasão, ao convencer o gigante de sair da sua cidade, capacidade esta confirmada quando monta o consórcio para comprar a cidade. E sobre a cidadezinha, ele mostra sua capacidade de correr riscos, quando saiu da estrada e foi pelo caminho até então desconhecido. Ainda sobre a cidade e o consorcio que a comprou, mostrou sua responsabilidade social ao reconstruir a cidade sem visar lucro ou ganho próprio. No circo, em que passou anos trabalhando de graça, mostrou determinação. Na guerra, versatilidade. Com as gêmeas, comprometimento. E com todas as pessoas, ele demonstra como se faz uma verdadeira rede de relacionamento, o famoso networking. E o que eu considero principal, tanto no filme quanto no empreendedorismo, é que contando suas estórias da forma com que conta, ele mostrou paixão por tudo o que faz, ele mostrou que vale mais a pena sempre ver o copo meio cheio do que meio vazio. E mesmo que você não se torne um milionário, ou dono de uma rede de lojas com uma marca mundialmente conhecida, ou mesmo, se você não conseguir fazer ou ter tudo o que sonha, se você sonhar grande e correr atrás deste sonho com paixão, no fim da sua vida, você morrerá com a certeza de que foi um peixe grande nesse nosso oceano. E lembrem-se: “Só fracassam aqueles que nunca tentam”.